
Capa da revista Exame, edição de março/2010:
“O discurso do ‘cliente em primeiro lugar’ continua em moda no mundo dos negócios. Trata-se de uma falácia. Uma pesquisa exclusiva mostra o abismo que separa a imagem que as empresas fazem de si próprias de como o consumidor as vê.”
Prepare o seu coração para as coisas que eu vou contar: a melhor maneira de ser percebido como xyz é SER xyz.
É preciso olhar um pouco além da obsessão com mídias sociais, ações, divulgações, promoções, ferramentas, plataformas, métricas e universos. Back to basics: o papel principal da comunicação como atividade de suporte ao negócio é dar visibilidade, alcance e contexto apropriados ao que uma empresa É, não a aquilo que ela FINGE SER. É só olhar em volta para perceber que a dissonância entre discurso e ação está se tornando um passivo cada vez maior para organizações, marcas e profissionais. O rei está nu, e o público já percebeu.
Fala-se muito em “tamanho da mudança”, e com razão. O que muita gente ainda não percebeu é que a tal mudança extrapola o que entendemos por comunicação, e até o que entendemos por Internet. A verdadeira mudança é de comportamento. Como já discutimos aqui, a mídia está na rua, e a rua está na mídia. Conectividade ubíqua e ilimitada deu nisso.
Não precisa acreditar em mim. Vejamos o que têm a dizer sobre o assunto dois caras que estão conseguindo na prática o que todo mundo só teoriza, que é colocar a Internet a serviço do negócio com resultados concretos pra mostrar: Tony Hsieh, CEO do Zappos, e Scott Monty, Head de Social Media da Ford. (Sim, a Ford dos EUA tem uma equipe de mídias sociais, responsável por nada menos do que 25% do budget de marketing. Saravá.)
Vai lá, Scott:
A questão fundamental é a mudança de cultura. E esse tipo de mudança organizacional – que pode incluir a atualização de práticas de negócio – tem que vir do topo. Mais do que isso, tem que ser parte do que chamamos de liderança. (…) Nosso CEO promove uma cultura de transparência e abertura que está completamente alinhada com o nosso jeito de falar com os clientes. Consistência de propósito e mensagem é essencial.”
E last but not least, Tony:
Construir uma marca hoje é muito diferente do que era construir uma marca 50 anos atrás. Antes, um grupo de pessoas se reunia numa sala, decidia qual seria o posicionamento e gastava um monte de dinheiro em publicidade. E gastando dinheiro suficiente, você conseguia construir sua marca. O mundo é muito diferente hoje. Com a Internet conectando todo mundo, as empresas estão se tornando mais transparentes, gostem elas ou não.
Cabeça aberta, objetivos claros e mãos à obra, gente. Ainda está tudo por construir. Ainda.
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Atualização em 22 de março de 2010: como o próprio Monty (!) nos informa em comentário abaixo – em português – os referidos 25% do budget de marketing da Ford incluem também as ações em marketing digital de maneira ampla, e não apenas em mídias sociais.
Thanks for stopping by, Scott! And keep up the good work.