Como repórteres e editores estão usando informações e recursos das mídias sociais para fazer seu trabalho? O Programa de Mestrado em Relações Públicas Estratégicas da George Washington University quis saber, e conduziu uma pesquisa sobre o tema junto a 9100 jornalistas nos EUA entre setembro e novembro de 2009.
Os resultados publicados (leia na íntegra aqui) sugerem um aparente paradoxo. Exemplo: por um lado, 89% dos jornalistas ouvidos disseram fazer uso de informações garimpadas em blogs. Por outro, 84% acreditam que as fontes das mídias sociais são “ligeiramente menos” ou “muito menos” confiáveis do que as da chamada mídia tradicional. A pergunta que cabe aqui é óbvia: por que os profissionais da Imprensa estão fazendo uso intenso de fontes que julgam ser menos confiáveis?
Não é razoável supor que os jornalistas estejam sendo ingênuos ou deliberadamente irresponsáveis. Mais provável é que estejam utilizando a variedade de pontos de vista que abunda na Internet como forma de encontrar personagens ou enriquecer suas histórias com ângulos diferentes sobre o mesmo assunto. Em uma palavra, o que eles buscam é contexto.
E o que pensam os jornalistas sobre os profissionais de RP? Segundo a pesquisa, 44% ainda dependem deles para “entrevistas e acesso a experts”, 23% para “respostas e dados específicos” e apenas 17% para “perspectiva, contexto e informações complementares.” Como se vê, é exatamente esta última necessidade que vem sendo suprida pelos posts, tweets e shares de gente comum, real e anônima.
Tempos atrás fiz uma pergunta sobre o futuro das RP a um pundito dos mais prestigiados da praça. Algo na linha “se as pessoas agora têm seus próprios canais de mídia, e as corporações estão percebendo que podem se comunicar e construir relacionamentos diretamente com elas, sem necessidade de intermediários, como fica a situação das empresas e profissionais de relações públicas?” Ouvi dele que “as agências têm que focar mais em criar e contar boas histórias e menos em publicidade.”
Ouviram? Mais fácil falar do que fazer, isso é certo. Mas todos nós que transitamos entre a comunicação corporativa, o jornalismo, o marketing e a publicidade conhecemos casos de gente que está reinventando o ofício ao mesmo tempo em que pratica a velha arte de contar histórias – com ótimos resultados.
Mudam os meios, mudam até as mensagens, mas o público continua lá. Mais do que nunca, fazer um grande trabalho é questão de sobrevivência.